13 de dezembro de 2013

Em um lugar que os humanos nem imaginam que exista, longe de tudo e de todos que não são da nossa espécie, fica uma espécie de aldeia, comunidade ou reino, não sei uma definição específica para explicar, mas é nesse lugar que eu moro, porque sou uma vampira.

Diferentemente das histórias que os humanos contam a nosso respeito, a criatividade deles me espanta, às vezes chego a pensar se nós não somos mesmo capazes de fazer tudo o que eles dizem que podemos. Transformar-me em morcego? Bem que eu queria poder voar. Brilhar ou derreter na luz do sol? Fala sério né, que graça teria em só poder sair à noite? Dormir em caixões? Nós não estamos mortos. Não refletir em espelhos é o que me deixa com mais raiva, se eu não pudesse me ver no espelho, como poderia admirar minha beleza? Os vampiros não são esses seres monstruosos que eles inventaram, somos apenas diferentes, porque nossa principal fonte de alimento, nisso eles não erraram, é o sangue. Mas isso não nos torna monstros piores que eles, em questões de mortes, acho que eles estão ganhando, porque a cada dia que passa mais humanos são assassinados, e se não somos nós a mata-los, só podem ser eles mesmos. Isso já nos coloca em pé de igualdade, ou talvez, a balança fique um pouco mais leve para o nosso lado.

Vivemos escondidos porque se os humanos soubessem que nossa existência é real, e não apenas fictícia como pensam, nos caçariam até não restar nenhum para contar história. Estranho não é? Em todas as histórias nós somos predadores e não o contrário. Mas a realidade é bem diferente da ficção. Se bem que não é muito fácil conseguir nos matar, não caia nessa de estaca de madeira, isso não existe, porque se um pedaço de madeira fosse capaz de matar um vampiro, por que algo de metal não seria?

A única razão para ainda não termos sido descobertos, é que há um véu de magia sobre o reino impedindo que mortais o vejam, é como se aqui não houvesse nada, apenas o deserto e montanhas. Isso às vezes me deixava curiosa para saber como teria sido uma convivência entre as duas espécies sem que eles soubessem nossa verdadeira natureza. Seria igual às histórias que vovó me contava quando era pequena? Ou mais parecidas com os livros humanos aos quais tive acesso? Não importa qual seja a resposta, a verdade é que isso nunca poderá ser testado para comprovar qual seria a teoria correta.


*** *** *** *** *** ***


— Cathy, será que poderia decidir-se logo? Ainda tenho aula hoje. Infelizmente não tenho o privilégio de estudar quando quero como você — Danika era uma ótima vampira, boa em vários aspectos, menos na paciência, mas mesmo assim era minha melhor amiga.

Uma curiosidade sobre os vampiros, nós também vamos à escola, só que diferentemente dos humanos, não temos que estudar um monte de coisas que não servirão para nada no final, tudo o que precisamos saber sobre a vida, nós aprendemos na escola. Não há uma matéria ou professor chato, simplesmente porque não existe esse tipo de coisa por aqui. Os próprios alunos são professores, a cada ano os vampiros mais velhos passam a ensinar os mais novos àquilo que aprenderam no ano anterior, e assim sucessivamente, até que tenham concluído o período de estudo que dura em média cinco anos, um vampiro começa a estudar em média com 13 anos, antes disso, aprende todo o básico com seus pais. Depois desse tempo de preparo, já se está pronto para escolher o que pretende fazer para o resto da sua vida, pelo menos isso é o esperado.

— Dani pode ir tranquila, ficarei bem aqui sozinha — Respondi ainda olhando para as duas garrafas de sangue à minha frente, uma O positivo e outra A negativo, era tão difícil encontrar um tipo sanguíneo da adega que me agradasse, que eu geralmente ficava muito tempo em dúvida antes de finalmente pegar uma aleatoriamente e beber. — Ah e antes que faça cara feia, não me importo de estar quebrando as regras. Essa história de que uma moça solteira não pode ficar na adega sozinha é ridícula, em que será que o Volkmer estava pensando quando criou essa regra? Francamente...

— Shh Cathy, não fale tão alto assim o nome do rei, estamos em um lugar público e embora não seja um horário muito frequentado, alguém pode te ouvir e tenho certeza de que ele não ficaria nem um pouco feliz de você estar questionando algo que existe desde a criação do reino.

— Está bem, vou me calar, mas isso não muda minha opinião. — Peguei a garrafa de O positivo e a encarei. Como é que eles conseguiam beber alto tão ruim assim? Esse sangue devia ter sido bom um dia, mas agora, tinha um gosto terrível, não importava qual tipo eu escolhesse. Isso me fez imaginar se seria por isso que todos se casavam tão cedo, para se livrar de beber esse sangue horripilante, que eu só estava bebendo porque não tinha outra opção, quer dizer, pelo menos por enquanto, já que em breve teria idade para casar e poderia me alimentar do meu... marido. Urg, só de pensar algo assim senti como se o sangue que tinha acabado de beber fosse fazer o caminho inverso de volta para minha boca. Eca!

— O que foi? Você está bem? — Danika olhou-me alarmada, enquanto eu me apoiava em uma das prateleiras da adega em busca de ar.

Depois de alguns segundos consegui responder que estava bem, era só a falta de costume com aquele tipo de sangue que havia me desestabilizado um pouco. Quando saímos da adega, Danika foi para a escola e eu fui dar uma volta pela floresta para espairecer, como ela era um ano mais nova, ainda tinha que ir todos os dias, enquanto eu ia apenas nos dois últimos dias da semana para repassar meus conhecimentos e ter algumas conversas com os vampiros que já tinham concluído os estudos, em busca da minha vocação profissional, que embora já devesse ter aparecido, ainda era uma desconhecida para mim.

Quando era mais nova costumava vir muito à floresta para passear, era meu lugar preferido de todo o reino. Aqui poderia pensar livremente sobre tudo o que quisesse sem a mamãe por perto tentando encher minha cabeça com ideias estúpidas sobre nossa espécie, as quais nunca dei muita atenção. Estando em contato com a natureza, me sentia tranquila, mais fiel a mim mesma, já que não tinha ninguém por perto para agradar com os velhos costumes impostos.

Sentei-me em uma pedra e fiquei admirando o rio que corria logo à frente, o barulho da água batendo nas pedras me anestesiando. Era em momentos como este que eu realmente refletia sobre o que iria fazer quando acabasse a escola, mas sinceramente, não conseguia agradar-me de nada.

Tínhamos muitas opções aqui no reino quando se tratava de profissões. Você poderia trabalhar nas tecelagens, ateliês de costura, nas adegas de sangue, fábricas de eletrônicos, fazendo joias, além de muitas outras. Só que nenhuma delas me agradava, quer dizer, algumas eram bem interessantes, mas eu não me imaginava passando o resto da vida fazendo uma coisa só.

— O que uma vampirinha feroz faz sozinha aqui? — Tive um sobressalto e quase caí ao escutar essa voz, principalmente por se tratar dessa insuportável voz. Devo ter ficado tão absorta pela paisagem que não senti a aproximação dele.

— Te assustei? Era mais ou menos essa a minha intenção. — Isso era tudo o que eu não precisava em um momento como este, ter que aturar Halford Volkmer, o filho do rei e o vampiro mais chato que já conheci.

— O que você quer aqui Halford? Não deveria estar por aí sendo aclamado por um monte de fêmeas vampiras? — Atirei, virando-me para encará-lo. Ele estava com aquele sorriso triunfante que eu odiava nos lábios.

— Infelizmente Cathy — Ele piscou ao dizer meu apelido, que até onde eu sabia, ele não estava autorizado a utilizar, somente minha família e amigos podiam chamar-me assim — não posso mais dar-me ao luxo de ter todas as garotas do reino aos meus pés — Fuzilei-o com o olhar. Halford sabia muito bem que não eram todas as garotas que estavam aos seus pés, porque eu não estava.

Fiz qualquer barulho incoerente e virei-me para o outro lado novamente. Mas garotos como ele não desistiam fácil e Halford ia continuar.

— Não quer nem mesmo saber por quê?

— Tanto faz — Revirei os olhos, aproveitando que ele não estava olhando para mim.

— Como você é adorável — Zombou — Mas quero dar-lhe a notícia eu mesmo, antes que comece a correr as ruas.

— Você poderia ir direto ao ponto? — Disse impaciente — Não tenho o dia todo.

— Sim, claro. Não posso mais dar atenção a todas aquelas vampiras porque vou me casar.

Casar? Ele realmente tinha dito isso?

— Está brincando? — Perguntei incrédula. Nós tínhamos a mesma idade, então como é que ele já ia se casar? Faltavam ainda alguns meses para completar a maioridade e finalmente decidir o que fazer.

— Claro que não, nunca falei tão sério em toda a minha vida. Sim, eu sei o deve estar pensando, que ainda não tenho idade para isso, só que como meu aniversário de dezoito anos está chegando terei que assumir o reino. Assim como todos antes de mim. Mas para isso preciso estar casado, então papai não perdeu tempo e providenciou uma noiva para mim.

— Oh, não acredito que você será nosso governante. Fala sério! Acho que o reino está perdido — Saltei da pedra e aterrissei na terra com um baque surdo — Mas quem é a louca que aceitou se casar com você?

— Ha ha, engraçadinha. Só pelo seu comentário sobre eu ser o novo governante, não direi mais nada.

— Para mim não faz diferença alguma. Tenho certeza de que é alguma das suas fãs paranoicas.

— A maior delas — Ele piscou antes de pular da pedra também.

Observei-o enquanto andava na direção oposta da que eu iria seguir rumo ao seu castelo.

Vampiro estúpido e exibido. Tinha certeza de que se seu pai não o ajudasse ele seria um péssimo rei. Mas que belo futuro esse que nos esperava!
*** *** *** *** *** ***


O caminho para casa pareceu-me mais curto, embora tivesse optado pelo percurso mais longo, seguindo pela floresta, ao invés de voltar para a cidade.

Apesar de não ter interesse algum em Halford, algo sobre o fato dele casar-se estava me inquietando, só que eu não conseguia imaginar por que, já que o detestava desde que éramos pequenos e o sentimento não mudou depois que crescemos, parece ter piorado com o passar dos anos, de uma pequena implicância para um inconveniente em potencial.

Afastei aquele incômodo da mente enquanto entrava, tomando cuidado para não fazer muito barulho, pois certamente vovó ainda estava dormindo e sua audição tinha melhorado muito com a idade, podendo escutar um barulho qualquer a quilômetros de distância.

Desci as escadas que levavam para o porão e fui para meu quarto de estudos, já tinha alguns dias que não praticava o que aprendi na escola e estava com medo de esquecer. Como se pudesse esquecer algo que fui destinada a fazer!

Peguei um livro antigo da minha estante abrindo em uma página aleatória e o colocando na mesinha à minha frente, junto com um frasco e um canivete. Era hora de testar o módulo 9 da aula de infusão sanguínea.

A ponta do canivete estava quase em contato com a pele da minha mão, quando meu screentop apitou. Pelo pouco conhecimento que tinha dos humanos, poderia dizer que era o equivalente a um celular, só que mais moderno e com algumas funcionalidades diferentes. Olhei para a tela e vi o desenho de uma flamejante gota vermelha. Esse era o símbolo de Danika, a marca no pulso com a qual já havia nascido e que a identificava em todo o reino, pois nenhum outro vampiro poderia possuí-la.

Todos os vampiros nascidos de uma união vampírica possuem algum tipo de marca de nascença que os identifica de todos os outros, muito embora não existam muitos que tenham nascido de outro tipo de união, como por exemplo, um vampiro nascido com um transformado. E ela pode situar-se em qualquer lugar do corpo, em uma forma única para um, porém sempre na mesma cor: vermelho escarlate.

Danika tinha uma bela marca em seu pulso direito, o que lhe dava certo charme, já eu não podia dizer que tive a mesma sorte. De todos os lugares possíveis no meu corpo, o mais inusitado foi escolhido para ela aparecer: meus olhos. Enquanto todos tinham olhos de cores normais, eu era a aberração no meio de outras aberrações, com olhos tão vermelhos que doía até para olhar. Esse foi um dos principais motivos que me fez sentir aversão por Halford Volkmer, ele sempre debochou de mim por causa disso, fazendo com que me sentisse péssima, e era por isso que sempre saía de casa usando óculos escuros, para que as pessoas parassem de me encarar e garotos como Halford, de fazer piadas maldosas.

Só quando meus pais me presentearam com uma espécie de lentes de contato, me senti confortável em sair de casa sem usar óculos, apesar da cor não ter ficado exatamente natural, um tom entre o turquesa e o roxo, pelo menos ninguém me encarava, e isso para mim já estava ótimo.

Pressionei a tela do screentop e a imagem de Danika apareceu. Não reconheci de imediato o lugar onde ele estava, mas era familiar.

— O que foi Dani? — Perguntei enquanto colocava o canivete de volta à mesa.

Ela analisou um pouco minha expressão antes de responder:

— Fiquei preocupada Cathy, você não estava bem mais cedo e eu queria saber se está melhor.

— Não seja dramática, ok? Eu só não me dou muito bem com aquele sangue velho — Fiz uma cara de nojo — Como é que você consegue?

— Não acho tão ruim assim e isso está ao meu favor, não terei que me casar cedo por causa disso.

Revirei os olhos.

— Como se isso fosse motivo para fazer com que eu queira me casar agora.

Ela riu.

— Então você terá que aguentar o sangue da adega.

— Nem me fale. Se apenas existisse outra maneira, seria tudo tão mais fácil.

— Como o quê? Caçar humanos? Fala sério, Cathy!

Claro, era isso! Que maneira melhor de conseguir seu alimento do que seguindo seus instintos?

Danika deve ter percebido meu olhar divagar, porque logo refutou:

— Não acredito que você sequer considerou essa possibilidade! Desde a criação do reino nós não caçamos, essa foi a condição dada para que os vampiros pudessem fugir do lugar onde os humanos os haviam aprisionado. É por isso que ninguém sabe da nossa existência! — Ela praticamente berrou a última frase.

— Isso nem de longe me passou pela cabeça — Menti descaradamente — Talvez eu pudesse tentar sangue de animais ou testar as aulas sobre infusão?

— Será que você não fala sério nunca? Bom deixa pra lá, eu só queria saber se você estava bem, e pelo que pude perceber, está ótima, com um belo senso de humor devo dizer.

— Espera Daika, não desliga ainda.

— O que é Cathy?

— Que lugar é esse onde você está? Eu não consegui reconhecer.

Ela olhou para o lado, um pouco distraída.

— É a Petrin Hall.

Não consegui acreditar no que havia ouvido, Petrin hall era o pesadelo de qualquer vampiro vivo, pois era lá que depositávamos os restos dos corpos dos vampiros mortos, era o equivalente a um cemitério.

— O que você está fazendo aí? — Gritei desesperada — Você não sabe que é proibido caso não seja necessário usá-lo? Além de dar má sorte!

— Fica fria. Eu não entrei, tá legal?

— Então o que você está fazendo aí?

— Tenho que desligar. Te vejo depois.

— Você não vai me responder? — Eu estava histérica.

— Depois falamos — E com isso ela desligou, deixando-me desesperada.

Passos soaram no andar de cima alertando-me que vovó havia despertado de seu sono e que eu deveria providenciar sua comida antes que ela fizesse um escândalo — vampiros mais velhos tinham essa tendência louca para começar uma cena, caso não se alimentassem no momento em que desejavam.

Só que não foi vovó que encontrei me esperando, quando subi as escadas, mas sim mamãe. O que diabos mamãe estava fazendo em casa àquela hora? Supostamente ela devia estar no trabalho, na joalheria da cidade e só voltar quando seu turno acabasse à noite.

Antes que eu conseguisse formar palavras na minha boca, ela se levantou do sofá e caminhou até mim, parando muito próxima de onde eu estava.

— Cathy querida, há algo sobre o qual precisamos conversar.

Nunca havia ficado nervosa em minha vida, mas de repente eu estava. Mamãe jamais começava uma conversa comigo desse jeito, o que só provava que era uma coisa muito séria.

— Sim...? — Finalmente encontrei minha voz, mas a resposta soou mais como uma pergunta.

— Por que não sentamos, antes que eu comece? — Droga, droga, droga. O assunto era muito sério se ela achava que eu não ia aguentar ouvir de pé.

Tentei ficar calma enquanto me sentava ao seu lado no sofá, embora essa não fosse uma coisa fácil a se fazer. Mas eu já imaginava qual era o motivo da conversa, nos últimos meses ela já havia conversado sobre isso comigo, só que nunca entramos em um acordo. Hoje ela estava séria, determinada. Será que resolveu ignorar meus apelos e decidiu por mim o que vou fazer da vida?

Faltavam apenas três meses para acabar a escola e iniciar minha vida adulta, a maioria dos vampiros que se formariam junto comigo já sabiam o que iam fazer, mas eu não conseguia me decidir, porque nada era interessante a ponto de passar uma vida toda fazendo isso.

Mamãe vinha insistindo que eu deveria decidir-me logo, mas não era algo fácil. Ao que parecia ela havia me ignorado e decidido por mim.

— Querida, mantenha-se calma e escute tudo que tenho para falar, está bem?

Concordei com a cabeça.

—Esta semana o rei Volkmer me procurou para dizer que iria casar seu filho Halford...

— Ah! Eu já sei que Halford vai se casar mamãe — Interrompi.

Então era isso, mamãe pensou que eu fosse surtar quando soubesse sobre o casamento de Halford porque ela achava que eu gostava dele, o que não poderia ser mais patético, já que eu o detestava.

— Sabe? — Ela parecia surpresa — E quem te disse? Ninguém sabe ainda.

Se ela já sabia, então provavelmente todo o reino estava sabendo também, por que ela iria ter uma informação privilegiada? Mas espera aí, ela mencionou o rei ter vindo falar com ela, por que ele faria isso?

— O próprio Halford me contou hoje — Revirei os olhos — Basta saber quem é a noiva.

Ela pareceu um pouco mais relaxada — Ah, mas essa é fácil, a noiva é você.



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