25 de agosto de 2013

Diário, diário meu, existe alguém mais burra do que eu?
Gostaram da citação? Ha ha ha Espero que sim, mas se não, tanto faz, quem tem que gostar mesmo sou eu.
Essa história de segunda chance foi a maior burrada que já fiz na vida, Anderson pode até ter deixado de me pressionar para saber quando iríamos para cama, mas isso não quer dizer que ele tenha desgrudado de mim. Parece que agora ele está mais "carrapato" do que nunca, sério eu não aguento mais isso.
Como se não bastasse o fato de que ter que aturar um namorado grudento no meu pé, ainda recebi uma revelação bombástica sobre o casamento dos meus pais. Ao que parece na adolescência o meu pai descobriu que gostava de meninos e não de meninas, só que meu avô não aceitou isso e  o "obrigou" a casar-se com uma mulher, a história de como meus pais se conheceram eu já sabia, uma paixão de faculdade, nada de estranho, a não ser por essa informação que minha mãe havia me contado, momentos depois de me revelar que meu pai a estava traindo com um homem, quando finalmente ficou calma para poder me explicar.
Quando conheceu mamãe, papai sentiu uma simpatia instantânea por ela, e sabia que tinha achado a mulher perfeita para casar e deixar feliz meu avô. Eles começaram a namorar e depois de um ano, resolveram que era hora de casar. Claro, que ele contou a situação a ela, que estava tão apaixonada, que não quis perdê-lo, mas só aceitou se casar, se meu pai prometesse que nunca mais teria nada com um homem, e aparentemente ele cumpriu, até agora.

Louco né? Eu tinha um pai gay.

Passei o fim de semana aflita, pensando no que aconteceria quando ele chegasse de viagem. Eu não queria presenciar uma briga dos meus pais, principalmente sabendo qual era a razão.
Domingo à noite, quando ele finalmente chegou, houve a já esperada discussão. Eu posso não ter estado presente na hora, mas do meu quarto deu para escutar tudo, tivemos sorte de os vizinhos não terem escutado nada, além dos pratos quebrando - pois é, a coisa foi séria mesmo.
No começo meu pai negou terminantemente as acusações da minha mãe, dizendo que isso era coisa da cabeça dela e que uma coisa dessas não tinha lhe passado pela cabeça. Ela gritou perguntando se ele achava que ela fosse maluca e jogou o primeiro, dos muitos pratos que foram quebrados naquela noite.
Mesmo assim ele continuou negando, até que repentinamente tudo ficou silencioso. Imaginei que nesse momento mamãe estivesse mostrando as fotos que um detetive - ela estava tão desconfiada das viagens cada vez mais frequentes do meu pai, que resolveu contratar um detetive para segui-lo - havia tirado do meu pai beijando um homem, em sei lá onde, mas não era nessa cidade. 
Juro que quando ela me mostrou essas fotos pela primeira vez, logo após ter me dado a notícia  bombástica e eu não ter acreditado, meu estômago revirou. Sério, achei muito nojento. 
De alguma forma, sei que ele tentou se explicar, mas não conseguiu e quando  ela o expulsou de casa, o sangue subiu e ele gritou antes de sair pela porta da frente:
- Vou mesmo e ser feliz. O Maicon está me esperando.

Papai não está se sentindo feliz e eu sei que ele sente falta de casa, mas mamãe não o quer de volta, por isso preciso fazer alguma coisa. Estou cansada de mentir, porque não quero que as pessoas saibam a verdade, para mim isso é vergonhoso e por esta razão sempre que perguntam onde meu pai está, digo que está viajando e ficará fora por muitos dias.

E assim vou seguindo, um dia de cada vez, nessa droga que chamo de vida.

Cliquei em publicar e esperei para ver o post no blog.

- Por que você não larga esse computador um segundo, hein? - Fechei o laptop o mais rápido que consegui, sem nem olhar se o post tinha sido publicado, antes que a Chris, minha amiga visse alguma coisa.

Me virei para poder vê-la parada ao meu lado. Eu estava sentada nos degraus da entrada da escola, mas àquela hora ninguém ia naquele lugar, todos estavam concentrados em seus almoços, claro, menos eu. E ao que parecia minha amiga Christine também não.

- Eu só estava fazendo algumas pesquisas para a próxima aula - Expliquei.
- Sério? O dia todo? Por que sempre que aparece a oportunidade, você está nesse computador. E por que o fechou antes que eu pudesse ver o que estava fazendo? Está escondendo algo Mel?

Cada vez mais viciada no meu blog, sempre que surgia uma nova oportunidade aproveitava para dar uma olhadinha, só que cada vez mais o perigo de me descobrirem aumentava. Mas não era disso que eu gostava? De correr riscos? Então estava no caminho certo. Certo para descobrirem tudo sobre Jennifer Clark e arruinar minha única chance de me sentir melhor.
Realmente, não existia alguém mais burra do que eu.

- Não estou fazendo nada de errado, e se quiser pode checar o meu histórico. - Eu esperava que ela não tivesse a petulância de aceitar essa minha sugestão maluca, mas caso aceitasse, não encontraria nada sobre Jennifer. Por sorte, eu só acessava o blog pela navegação anônima, para não deixar rastros.
- Sabe, normalmente eu não faria uma coisa dessas, isso é invasão de privacidade. Mas como o Anderson também anda preocupado e desconfiado, vou aceitar sua sugestão.

Fiquei pasma, isso estava ficando fora dos limites, mas mesmo assim lhe passei o computador, assim que ela se sentou ao meu lado.

- Deixe-me ver - disse enquanto descia pelos nomes dos sites que eu havia entrado nos últimos dias. Sua cara de alívio confirmou o que eu já sabia, no meu histórico só tinha sites sobre minhas últimas pesquisas escolares. Inclusive de 5 minutos atrás, eu podia até ser burra, mas talvez nem tanto, já que enquanto acessava o blog pelo modo anônimo, entrei no Wikipédia pela navegação normal.

- Satisfeita? - Perguntei assim que me devolveu o laptop.
- Desculpa Mel por ter feito isso, mas o Anderson estava ficando louco com essa sua atitude, e eu precisava tranquilizá-lo.

Tranquilizar o meu namorado? De que jeito? - Apaguei esse pensamento assim que ele surgiu, eu estava começando a ficar paranoica, pensando que estava sendo traída, por causa das atitudes suspeitas do Anderson, mas claro que se estivesse não seria com uma amiga minha, principalmente a Chris que era prima dele.

- Tudo bem Chris, eu entendo. Estou um pouco obcecada pelas notas de inglês mesmo, só estava tentando melhorar.
- Agora que tudo está esclarecido, que tal voltarmos para o almoço? Todos estavam sentindo sua falta na mesa, que foi a razão pela qual eu vim atrás de você.
- Vamos, estou mesmo com fome. - Isso não era mentira, eu estava mesmo com fome, mas só a ideia de ter que me juntar a uma mesa cheia de pessoas com quem eu não queria estar, me fazia perder o apetite.
Resolvi ir mesmo assim.


 *** *** *** *** *** *** ***
Sabe aquela sensação de que estão escondendo algo de você? Era assim que eu me sentia agora quando estava perto do Anderson.
Quando estávamos na escola, ele sempre evitava chegar muito perto de mim, como se alguém não pudesse saber que ele estava namorando, e o mais estranho é que isso só começou a acontecer depois da história de segunda chance.
Antes nós apenas nos encontrávamos na hora do almoço, e longe da vista dos outros alunos, porque eu não gostava de DPA - demonstrações públicas de afeto, me sentia envergonhada dos outros estarem olhando, mas agora nem isso acontecia. E foi por isso que resolvi parar ser boazinha e atacar de verdade, afinal de contas ele era meu namorado, não era?

Quando chegamos à mesa, notei que Anderson olhava furtivamente para o outro lado do refeitório, tentei acompanhar  a direção do seu olhar, mas ele logo me viu e não consegui.
- Mel, estávamos com saudade já. Tava onde sumida? - Disse Gabbe, a mais a expressiva de todas, e uma ótima amiga.
- Acreditam que ela estava fazendo pesquisas para Inglês? - Chris respondeu por mim
- Mentira né, você sabe que se precisar eu ajudo na nota e não precisa nem pedir - Disse minha outra amiga Liz.
- Acho que fiquei um pouco paranoica com notas - Respondi me sentando o mais próximo que podia de Anderson, fazendo-o  se afastar instintivamente. Já era hora disso acabar, se ele era meu namorado, ia se comportar como tal. 
- Então, terminou a pesquisa? - Ele perguntou casualmente, mas notei uma ponta de nervosismo em sua voz.
- Claro, já estava com saudades de você, não queria ficar muito tempo longe - Mentirosa, mentirosa, mentirosa. Esperei que um letreiro vermelho acendesse na minha testa, mas como isso não aconteceu, passei os braços pelo pescoço dele e o beijei.

A primeira reação dele foi choque, mas logo depois correspondeu, como eu esperava que corresponderia, até que repentinamente se afastou, como se eu tivesse alguma doença contagiosa.

Era só disso que eu precisava para confirmar minhas suspeitas. Eu estava sendo traída, agora bastava saber com quem e por que ele não quis terminar comigo quando teve a oportunidade.




3 comentários:

  1. Que blog fofo ! ;)
    http://imperfeitasperfeitas.blogspot.com/
    Beijinhos !

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  2. Que bom que gostou Alexia, Obrigada pela visita :]

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  3. mds to amando muito continua >.<

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